terça-feira, 15 de abril de 2008

Expansão marítima européia

Grandes navegações dos séculos XV e XVI que têm origem na necessidade de expansão econômica da Europa. A insuficiência da produção agrícola para alimentar toda a população, o declínio econômico da nobreza, o encarecimento dos produtos orientais e a falta de metais preciosos para a emissão de moeda impulsionam a procura por novos mercados fora dos domínios europeus. A tentativa de encontrar rotas alternativas para o Oriente torna-se indispensável.
A empreitada é possível graças ao surgimento de uma burguesia mercantil, interessada em ampliar sua margem de lucro, e ao fortalecimento do Estado, com a centralização do poder monárquico. Um forte ideal missionário, principalmente dos países ibéricos, para catequizar os povos infiéis das terras distantes funciona como justificativa ideológica para a expansão. As nações ibéricas formam impérios ultramarinos entre os séculos XV e XVI, quando tem início a colonização da África, da Ásia e da América. Além de Portugal e Espanha, Inglaterra, França e Holanda (Países Baixos) também realizam grandes expedições.
Para alcançar os mercados do Oriente e garantir o monopólio do comércio com as chamadas Índias, os portugueses assumem a vanguarda do expansionismo européia, seguida pelos espanhóis. Revolucionam a arte da navegação ao aperfeiçoar instrumentos náuticos de origem árabe, como a bússola, modernizar a cartografia e inventar a caravela. São pioneiros em calcular com precisão a circunferência da Terra e no comércio de escravos negros para a América.
A primeira expedição portuguesa, comandada pelo rei dom João I, termina com a conquista de Ceuta, em 21 de agosto de 1415. Um dos mais importantes portos africanos, ao norte do Marrocos, é o ponto de partida para as descobertas portuguesas na África Ocidental. O cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente, é contornado em 1487 por Bartolomeu Dias (1450-1500), abrindo caminho para o Oriente. A primeira ligação por mar entre Europa Ocidental e Índia é feita em 8 de julho de 1497 por Vasco da Gama (1469-1524). Ele parte da praia de Restelo, em Portugal, e em 1498 chega ao porto indiano de Calicute. Em 22 de abril de 1500, uma nova esquadra liderada por Pedro Álvares Cabral chega à costa brasileira.
Atrasados em relação a Portugal, os espanhóis patrocinam a viagem de Cristóvão Colombo ao Oriente em 1492. Acreditando que a Terra era redonda, Colombo supõe ter alcançado o Oriente navegando pelo Ocidente. Na verdade, descobre outro continente: a América. Entre 1503 e 1513, o navegador florentino Américo Vespúcio (1451-1512) viaja ao continente a serviço da Espanha. Ainda com patrocínio espanhol, Fernão de Magalhães (1454-1521) começa em 1519 a primeira viagem de circunavegação da Terra. Parte de Cádiz, no litoral da Espanha, atravessa o Atlântico Sul e cruza o estreito que hoje tem seu nome. Ruma para a Ásia, chegando às Filipinas em 1521. A tese sobre a forma esférica da Terra fica assim comprovada.
Com a entrada da Espanha no ciclo das grandes navegações, criou-se uma polêmica entre esta nação e Portugal, pela posse das terras recém-descobertas da América. Essa questão passa pelo Papa, que escreve a Bula "Inter Coetera" (as terras da América seriam dividas por uma linha a 100 léguas das Ilhas de Cabo Verde, em que Portugal ficaria com as terras orientais e a Espanha ficaria com as terras ocidentais). Portugal fica insatisfeito e força a assinatura do Tratado de Tordesilhas, que irá estabelecer uma linha a 370 léguas das ilhas de Cabo Verde, estabelecendo um domínio sobre a maior parte do território brasileiro.
A Inglaterra, a França e os Países Baixos iniciam sua expansão marítima mais tarde e, no princípio do século XVI, aportam em terras já ocupados por portugueses e espanhóis. Conquistam algumas áreas na América do Norte e na Ásia e desenvolvem ações de pirataria oficializadas por seus governos contra Portugal e Espanha. No começo do século XVII, ingleses, franceses e holandeses passam a produzir navios mais baratos, em maior quantidade e de melhor qualidade. Formam também sociedades credenciadas para exploração, comercialização e administração de terras longínquas, como a Companhia Britânica das Índias Orientais (1600) e a Companhia Holandesa das Índias Orientais (1602).

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