domingo, 7 de junho de 2009

Nazi-Fascismo

A Europa viveu a década de 30 sob a ameaça do fascismo, ideologia totalitária e expansionista que se estendeu por boa parte do continente. A interdependência da economia capitalista permitiu que a crise de 1929 tivesse reflexos no mundo todo, e mais duramente na Europa, pois se encontrava em reconstrução pós conflito de 1914 – 1918. Esta profunda crise econômica iniciada nos Estados Unidos em 1929, que gerou recessão mundial e proletarização das camadas médias, também determinou a perda de confiança de parte da sociedade nas instituições liberais e democráticas. Por não conseguir responder aos desafios da desaceleração econômica e do aumento do desemprego, surgiram muitos movimentos que exigiam mudanças profundas nas estruturas, até então vigentes.
Estes movimentos defendiam um Estado forte, com concentração de poderes, para estabelecer uma maior capacidade de gerir a crise e alavancar a economia. Na Europa a tradição liberal e o socialismo apresentavam, ainda, fracos perante o contexto da época. O fim da Primeira Guerra Mundial criou uma atmosfera de desconfiança e vingança, principalmente sobre a Alemanha derrotada (Tratado de Versalhes). O socialismo soviético era visto com medo pelos países capitalistas, pois havia sido a única nação que não sofreu profundamente a crise mundial.
Os movimentos nazi-fascistas, apresentam, em sua estrutura, algumas características:

- Totalitarismo: o sistema fascista era antidemocrático e concentrava poderes totais nas mãos do líder de governo. Este líder podia tomar qualquer tipo de decisão ou decretar leis sem consultar políticos ou representantes da sociedade. O Partido Nazista ou Fascista representava o Estado e confundia-se com ele, formando a síntese das aspirações nacionais.
- Nacionalismo: entre os fascistas era a ideologia baseada na idéia de que só o que é do país tem valor. Valorização extrema da cultura do próprio país em detrimento das outras, que são consideradas inferiores.
- Militarismo: altos investimentos na produção de armas e equipamentos de guerra. Fortalecimento das forças armadas como forma de ganhar poder entre as outras nações. Objetivo de expansão territorial através de guerras.
- Culto ao líder: olíder do partido era visto como figura essencial para o desenvolvimento do país. Eram vistos como heróis, pais da pátria ou semi-deuses. A sua figura era cultuada pela propaganda e transmitida para o povo se espelhar na conduta e ações desse líder.
- Autoritarismo: via-se a autoridade do líder, do chefe como indiscutível; as nações precisavam de trabalho e prosperidade, não de liberdade.
- Anti-socialismo: os fascistas eram totalmente contrários ao sistema socialista. Defendiam amplamente o capitalismo, tanto que obtiveram apoio político e financeiro de banqueiros, ricos comerciantes e industriais alemães e italianos.
- Anti-semitismo: particularidade alemã. A perseguição racista aos judeus era justificada pela afirmação de que na Primeira Guerra Mundial os alemães tinham sido traídos pelos judeus marxistas, motivo de sua derrota. Além disso, segundo o nazismo, os judeus ameaçavam a edificação da grande raça ariana.
- Corporativismo: particularidade italiana. Deveria buscar, através do Estado corporativo, a harmonização dos interesses conflitantes dos empresários e trabalhadores. Para isso, era necessário que o Estado fascista organizasse o movimento sindical a fim de buscar este entendimento.

I – O Fascismo Italiano

No caso italiano, a frustração em não conquistar alguns territórios desejados, somado às perdas obtidas durante a guerra criaram um ambiente fértil para a ascensão do regime de Mussolini. O aumento da inflação, do desemprego e da fome eram alguns dos problemas que abalavam a economia italiana. A monarquia parlamentar, conduzida pelo rei Vítor Emanuel III, tolerava as crescentes manifestações dos sectores populares, sendo incapaz de atender suas reivindicações. A alta burguesia italiana e as classes médias conservadoras, mostravam-se apavoradas com a crescente movimentação social dos trabalhadores.
O nacionalismo era instigado. Greves e rebeliões em toda a parte demonstravam a situação social do país.O governo democrático não possuía autoridade suficiente para acalmar os ânimos. A burguesia então, receosa com o clima revolucionário, acabou apoiando aqueles que representavam uma opção política com a força e a capacidade necessária para controlar esta situação – os fascistas.Depois de tentativas frustradas de tentar chegar ao poder por vias legais, em 1919, Mussolini percebeu que outra via era possível, e assim o fez. Com o agravamento da situação no país, mais grupos demonstravam apoio ao fascismo. Em 1922, Mussolini chegava ao poder para três anos depois eliminar a oposição e estabelecer o seu regime totalitário.

1 – A Ascensão de Mussolini

Benito Mussolini pertencera ao Partido Socialista Italiano, tendo sido expulso devido às suas posições oportunistas e antipacifistas nos anos da Primeira Guerra Mundial. Em Março de 1919, Mussolini fundou uma organização denominada fasci di combattimento (esquadrões de combate), composta por ex-combatentes e desempregados, e contou com o financiamento de alguns industriais. Utilizando métodos violentos e inescrupulosos contra seus opositores, desenvolveram-se, transformando-se no Partido Nacional Fascista.
Protestando contra a crescente violência fascista, os partidos de inspiração marxista convocaram, em Agosto de 1922, uma greve geral dos trabalhadores. Os fascistas exigiram que o governo acabasse com a greve e restabelecesse a ordem. Impotente para controlar a situação, o governo abriu espaço para a ação violenta dos fascistas.
Mussolini organizou em 28 de Outubro de 1922, a Marcha sobre Roma, promovendo uma passeata de cerca de 50 mil fascistas em Roma. Pressionado, o rei Vítor Emanuel III encarregou Mussolini de formar um novo governo, em 28 de Outubro de 1922.

2 – O governo fascista

O governo de Mussolini pode ser dividido em duas grandes fases:
Consolidação do Fascismo (1922 a 1924) – Mussolini realizou um governo marcado pelo nacionalismo extremado, e pelo capitalismo. Paralelamente, fortaleceu as organizações fascistas com a fundação das Milícias de Voluntários para a segurança Nacional. Valendo-se de todos os métodos possíveis, inclusive de fraude eleitoral, os fascistas garantiram a vitória do Partido nas eleições parlamentares de Abril de 1924. O deputado socialista Giacomo Matteoti denunciou as violências fascistas. Devido a sua firme oposição, Matteoti foi assassinado em Maio de 1924. A morte de Matteoti provocou indignação popular e forte reacção da imprensa política oposicionista. Mussolini assumiu a responsabilidade histórica pelo homicídio do líder socialista, decretando uma série de leis que fortalecia o governo.
Ditadura Fascista (1925 a 1939) – Nos meses finais de 1925, Mussolini implantou o fascismo na Itália. Os sindicatos dos trabalhadores passaram a ser controlados pelo Estado por meio do sistema corporativista. Foi criado um tribunal especial para julgar crimes considerados ofensivos à segurança do Estado. Inúmeros jornais foram fechados, os partidos de oposição foram dissolvidos, milhares de pessoas foram presas e outras foram expulsas do país. A Ovra, polícia secreta fascista, utilizou os mais terríveis tipos de violência na perseguição dos oposicionistas. Os fascistas puniam seus adversários obrigando-os a ingerir óleo de rícino. Mussolini empenhou-se em fazer da Itália uma grande potência capitalista mundial. Para isso promoveu a conquista da Etiópia, em 1936, e o revigoramento industrial. Mussolini tornou-se conhecido como o Duce, em italiano, aquele que dirige .

II – O Nazismo alemão

Na mesma época em que se consolidou o regime fascista na Itália, Hitler lançava seu livro - Mein Kampf (Minha Luta) – onde desenvolvia suas teorias raciais e dava corpo à futura ideologia nazista. Sua obsessão pela pureza da raça, seu ódio aos judeus e seu nacionalismo exacerbado foram suas marcas, além de um gênio político-militar que poucos ousaram reconhecer. O desejo de um Império Alemão Central (o espaço vital) composto apenas daqueles pertencentes à "raça superior ariana" foi um objetivo buscado até a sua morte.
O ambiente político e econômico em que se deu o surgimento e o desenvolvimento dos nazistas na Alemanha foi semelhante àquele visto na Itália fascista. No entanto, após investimentos norte-americanos no pós-guerra a Alemanha se recuperou economicamente.
Diferente da Itália, na Alemanha havia uma industrialização suficiente para se ter um proletariado bem definido. Após a Primeira Guerra Mundial, além de ter sido considerada a "culpada pela guerra", foi imposto aos alemães um governo social-democrata – a "República de Weimar". No entanto, este tipo de governo necessita de recursos econômicos para manter a política social à qual ela se propõe. Na falta de capital, crescem as oposições à este regime de governo. A partir disto, o fator principal que veio ajudar em muito a ascensão de Hitler foi a Crise de 1929. O país, de todos os europeus que haviam passado pela industrialização, foi o mais atingido pela crise econômica. Um terço da população era de desempregados, a polarização entre nazistas e comunistas aumentava. A partir daí, o estabelecimento do regime nazista na Alemanha se deu de forma meteórica. Já em 1933, em poucas semanas Hitler passou de Chanceler para Führer.
A maioria dos alemães era contrária ao cumprimento do Tratado de Versalhes, considerando-o injusto para a Alemanha. O tratado exigia custosas reparações de guerra e tomava as colônias e parte do território dos alemães, além de impor limitações militares. O sentimento de injustiça foi agravado com a ocupação da bacia do Ruhr pela França e a Bélgica, como garantia dos créditos concedidos à Alemanha.

1 – Adolf Hitler

Hitler nasceu na Áustria e pretendia ser pintor. Mas, por duas vezes, foi reprovado nos exames para ingresso na Academia de Viena. Após a morte dos pais, vivia como um mendigo, pernoitando em albergues e tentando viver dos cartões postais que pintava.
Quando começou a guerra, incorporou-se em um regimento alemão. Participou com bravura, foi ferido duas vezes e condecorado com a Cruz de Ferro. Mas a derrota o abalou profundamente.
Ele era extremamente nacionalista. Opunha-se aos judeus, num anti-semitismo cujas origens são difíceis de serem explicadas. Via nos judeus um factor de corrupção do povo alemão. Cristo e Marx, dois judeus, pregavam a igualdade entre os homens e a resignação, ideias que Hitler considerava nocivas ao povo alemão. Daí, surgiu sua doutrina racista, segundo a qual os homens eram desiguais por natureza. A raça superior era a dos arianos (germânicos), altos e alourados. Na Alemanha, eles existiam em estado puro, sendo, pois, a raça sob a humilhação do Tratado de Versalhes. O povo alemão deveria agrupar-se em um único estado: A Grande Alemanha, que reuniria todas as populações germânicas.
Desprezava os povos latinos e principalmente os eslavos, os quais julgava que deveriam ser reduzidos à escravidão, dominados pelos germânicos. A pureza da raça ariana deveria ser defendida através da impiedosa perseguição aos judeus.
A partir dessas ideias de Hitler, surgiu o Nazismo, um regime totalitário e militarista que se baseava numa mística heróica de regeneração nacional. Apoia-se no campesinato e não tem a estrutura corporativista do fascismo.
Após a organização do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista), Hitler percorreu a Alemanha para divulgá-lo e conseguir mais adeptos. As reuniões do partido eram feitas com alguns rituais, como numerosas paradas, ataques violentos aos socialistas, além dos uniformes.
Foi fundado também um jornal partidário. Vários adeptos foram recrutados entre desempregados. Alguns intelectuais também se filiaram.Com a crise de 1923, Hitler organizou uma manifestação militar para tomar o poder. Numa concentração em Munique, avisou que uma revolução nacional começara; mas o povo não o seguiu. Após um conflito com a polícia, Hitler foi preso e o Partido Nazista começou um declínio contínuo, até que, em 1929, havia menos de 120.000 membros.

2 – A Alemanha nazista

Após as dificuldades econômicas dos primeiros anos pós-guerra, até 1924 a economia alemã havia recuperado seu equilíbrio, graças aos investimentos vindos do estrangeiro (principalmente dos Estados Unidos). De 1930 em diante, porém, os capitalistas estrangeiros começaram a retirar seus empréstimos. A inflação recomeçou e a crise econômica também. A produção do país entrou em declínio. A miséria da população permitiu a ascensão política do Partido Nazista, bem como do partido Comunista. Nas eleições de 1930, essa tendência se manifestou claramente. Os nazistas elegeram 107 deputados e os comunistas 77, em detrimento dos partidos liberais.
Em 1932, terminava o período presidencial de Hindenburg; ele candidatou-se novamente, tendo Hitler como adversário. Foram necessárias duas eleições para decidir o pleito. Hitler perdeu, mas obtivera um considerável número de votos. O cargo de primeiro-ministro foi confiado a von Papen. Sua grande dificuldade era o progresso dos nazistas. Estes aumentaram o número de deputados no Parlamento nas eleições seguintes. Hindenburg recebeu poderes excepcionais e chamou Hitler para a vice-chancelaria, mas o chefe nazista não aceitou.
O Reichstag (Assembleia Nacional) foi dissolvido e novas eleições realizadas. Os nazistas perderam várias cadeiras, mas o problema continuou, pois não era possível governar sem os nazistas ou contra eles.
Hindenburg substituiu von Papen por um general de tendências socialistas, esperando ganhar mais apoio popular. Mas o próprio von Papen convenceu o presidente a chamar Hitler para o poder, esperando assim poder controlá-lo melhor. No dia 30 de Janeiro de 1933, Hitler assumiu a chancelaria, com von Papen como vice-chanceler.
Da chegada ao poder até o estabelecimento da ditadura foi um passo rápido. Hitler formou um governo de coalizão direitista, incluindo os nazistas, nacionalistas, independentes e católicos. Em 27 de fevereiro promoveu o incêndio do Reichstag, atribuindo-o aos comunistas, como pretexto para decretar o fechamento da imprensa, a suspensão das actividades dos partidos de esquerda e o estado de emergência. Em 5 de Março do mesmo ano conseguiu a vitória nas eleições para o Reichstag com ampla maioria dos votos, usando todos os meios lícitos e ilícitos para chegar a este resultado.
O novo Reichstag eleito deu a Hitler plenos poderes. As cores da República foram substituídas por uma bandeira vermelha com a cruz gamada em negro e branco, símbolo do Partido Nazista. Todos os partidos, com excepção do nazista, foram dissolvidos e proibidos de se reorganizar. Hitler tornou-se o condutor, o guia e chefe.
Quando morreu Hindenburg em 1934, não foi eleito outro presidente. Hitler acumulou as funções de chanceler e chefe de Estado. Um plebiscito confirmou esta decisão com cerca de 90% dos votos a favor. Estava legalizado o totalitarismo na Alemanha. Como Mussolini na Itália, Hitler detinha agora o poder absoluto em seu país.
Com a ascensão de Hitler ao poder, o anti-semitismo e os atos de violência contra judeus se tornaram política de estado. Em Abril de 1933 os judeus foram proibidos de praticar a medicina e a advocacia e de ocupar cargos públicos. Em 1935 judeus e demais minorias de sangue não - germânico foram privados de direitos constitucionais e proibidos de casar-se ou manter relações extra-matrimoniais com cidadãos alemães ou de sangue ariano. Em 1936 foi criado o Serviço para a Solução do Problema Judeu, sob a supervisão das SS, que se dedicava à exterminação sistemática dos judeus por meio da deportação para guetos ou campos de concentração. Durante a Segunda Guerra, foram estabelecidos na Polônia ocupada os campos de extermínio em massa. Cerca de 6 milhões de judeus foram executados.

3 – A Expansão Militarista

A política externa nazista era clara. Primeiramente queriam recuperar as regiões que, anteriormente, haviam sido da Alemanha. Principalmente aquelas ricas em matérias-primas valiosas para o desenvolvimento industrial alemão. Em segundo lugar, iriam conquistar outras regiões com matérias-primas que fossem dominadas por raças “inferiores”.
A Inglaterra e a França, responsáveis por uma política de defesa da paz mundial, preferiram ignorar as iniciativas imperialistas do governo alemão, considerando que poderiam ser úteis ao formar um a proteção ao avanço do comunismo na Europa.
Em 1936, Hitler reconquistou a Renânia, região ocupada pelos franceses após o Tratado de Versalhes. Esta atitude despertou um novo sentimento nacionalista alemão, dando mais apoio as medidas nazistas.
Ao invadir a Renânia, a Alemanha atacou o Tratado de Versalhes. Como protetora deste tratado, a Liga das Nações não tomou nenhuma atitude. Esta benevolência foi justificada com o argumento que, assim, evitaria um confronto direto com os nazistas. A atitude de indiferença em relação ao expansionismo alemão ficou conhecida como política de apaziguamento.
Encorajadas pela indiferença das potências democráticas, a Alemanha expandiu-se em direção ao Ocidente europeu, a Itália invadiu a Albânia e a Etiópia e o Japão conquistou os territórios asiáticos.
Em 1936 ocorre o Anschluss, quando a Alemanha anexa a Áustria, renascendo o pan-germanismo do início do século XX. Esta anexação serviu para acirrar o nacionalismo das populações de ascendência germânica da região dos Sudetos, na Tchecoslováquia. Estas comunidades reivindicavam o direito de voltarem a ter nacionalidade alemã. Atordoados com o desaparecimento da Áustria, franceses e britânicos resolveram intervir, uma vez que o governo tcheco não aceitava a autonomia dos Sudetos e muito menos suas incorporação pela Alemanha.
Em setembro de 1938, a conferência de Munique, composta por alemães, italianos, franceses e ingleses chegaram a uma solução. A Alemanha ganhou o direito de anexar algumas regiões da Tchecoslováquia. Foi assinado também um documento no qual Hitler se comprometia, a partir daquela data, a resolver toda as questões de interesse internacional mediante consulta. Em maço de 1939, Hitler invade o resto da Tchecoslováquia. O desrespeito alemão ao acordo de Munique levou os governos britânico e francês a selarem uma aliança com a Polônia, comprometendo-se a protege-la de uma eventual agressão alemã.
A questão polonesa tornou-se pano de fundo para uma aproximação entre Alemanha e URSS. Os alemães exigiam a devolução de Dantzig (em polonês, Gdansk). Com a garantia anglo-francesa à Polônia, a URSS chegou a acreditar que isso seria um trampolim para uma possível invasão de franceses e ingleses à União Soviética. Em agosto de 1939, alemães e soviéticos assinaram um acordo de não-agressão e neutralidade, conhecido como Pacto Nazi-Soviético. Este acordo determinava um período de paz entre os dois países de 10 anos. Além disso, dividia o território polonês em duas zonas de influência, a alemã e a soviética.
Desde meados de 1939, Hitler pretendia atacar a Polônia, etapa que finalizaria a conquista do Leste europeu. Mas sabia que isso ocasionaria a guerra contra os aliados. O Pacto Nazi-Soviético evitava que a Alemanha tivesse de lutar em duas frentes, como acontecera em 1914.

4 – A Guerra Civil Espanhola (1936 – 1939)

Durante os anos 20, a Espanha viveu sob crise política e econômica, além de constantes ameaças do movimento operário, das esquerdas e do separatismo basco e catalão. Para amenizar as tensões, o rei Afonso XIII, contando com o apoio das forças conservadoras (burguesia, latifundiários, exército e clero), permitiu a instalação de uma ditadura militar em 1923. O regime não conseguiu se manter, caindo em 1931 diante das pressões populares que restabeleceram as eleições gerais.
Com vitória da coalizão das esquerdas e setores liberais nas eleições gerais, foi proclamada a república. Mas a coalizão logo passou a sofrer divisões que fragilizaram o novo regime. A Falange, partido nacional-socialista, criado em 1931, congregou os conservadores de direita, enquanto a Frente Popular uniu as forças de esquerda. Em 1936, a Frente Popular venceu as eleições, levando a direita a formar a União Militar Espanhola. Sob comando do general Francisco Franco, a União Militar inicia uma ação golpista, que parte do Marrocos e, chegando à Espanha, tira a Frente Popular do governo. É o início da Guerra Civil Espanhola (1936-39).
Os franquistas receberam apoio direto italiano e alemão e indireto das potências liberais e da Liga das Nações, que preferiram ficar neutras e não intervieram a favor do governo republicano. Os republicanos, no entanto, tiveram limitada ajuda soviética e das Brigadas Internacionais, formadas por voluntários de vários países do mundo. O desequilíbrio das forças combatentes e a violência dos golpistas, destruindo várias cidades (como o ataque aéreo alemão a Guernica), favoreceram mais um regime ditatorial de extrema direita. A Guerra Civil Espanhola, além de marcar a ascensão do franquismo, pode ser considerada o "ensaio geral" para a Segunda Guerra Mundial (1939-45). A ditadura fascista na Espanha durou de 1939 a 1975.

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